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<em><H3 ALIGN=CENTRE> Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso</H3></em>

 

Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso

A ideia é de facto um bocado antiga, remonta à altura em que se organizava a feira Agrobarroso, que de forma intercalada se realizava com a autarquia de Boticas com o objectivo de promover a terra e dar alguma rentabilidade aos produtores e expositores que ali participavam com vários produtos locais, misturados com outro tipo de negócio, que a Barroso, não dizia tanto. Uma vez que a matriz de Montalegre se prende com a pastorícia e agro-pecuária, Orlando Alves na altura vereador lançou o repto de se recriar, ou moldar o evento à imagem da realidade socioeconómico barrosã, no intuito de aproveitar a pujança que se fazia sentir no sector primário “valia a pena fazer uma feira que apostasse na qualidade das nossas carnes, particularmente nas porcinas, com os produtos transformados, no salpicão, chouriça e sobretudo o presunto» refere Orlando Alves quando convidado a recuar no tempo, às origens deste certame. No entanto a ideia só foi colocada na prática em 1991. «Foi difícil de concretizar, uma loucura, nessa altura. O sector pecuário apresentava já um certo declínio, com o aparecimento dos vendedores ambulantes, que comercializavam vários tipos de carne, tornando desta forma apetecível, para alguns produtores, colocar um pouco de lado os moldes tradicionais da criação de animais.» Na consciência do dever, para essa mesma tradição não se perder, o executivo reuniu, e chegou à conclusão que o tempo urgia, e que havia chegado o momento para inverter a situação, aliando obviamente a promoção daquilo que torna Barroso diferente, que passa pela gastronomia e pela qualidade dos seus produtos. «Em 1990 fomos pelas aldeias, de porta em porta sensibilizar as pessoas dizendo-lhes para aumentar a produção, nesse caso do porco e que a autarquia lhe garantia o escoamento». De inicio houve alguma cepticidade em relação ao proposto, à novidade, e isso viu-se pelo número de expositores na primeira edição, uma dúzia no total. Quanto à organização da feira e a sua estrutura, Orlando Alves assume que «andávamos um pouco à deriva a tentar fazer algo que fosse consistente e apelativo, mobilizador de sinergias, fizemos uma feira com muita divulgação prévia e de quatro dias, e como sinal de que a mensagem tinha sido bem passada chegou-se ao primeiro dia, e vendeu-se tudo e como para grandes bens, grandes remédios a compra fez-se de porta a porta em particulares, para haver o que vender nos dias seguintes.» No local da feira (zona agrária) havia um pote de caldo que estava sempre a ser servido e ali ao lado os especialistas faziam a degustação para a selecção da melhor alheira e chouriça. A afluência continuou em crescendo e neste sentido, foi obrigatória a mudança de instalações, para um local maior e desta feita, o palco foi o antigo gimnodesportivo que estava localizado, onde hoje é o multiusos. Teve presenças pontuais na zona industrial de Montalegre até a última e definitiva transição onde actualmente é organizada. Mas durante estes dezanove anos, não foi só no corpo físico das instalações que as mudanças se fizeram sentir. São poucos os produtores que estão desde a primeira hora, os mais velhos foram dando lugar a uma faixa etária mais jovem e com isto prevê-se a continuidade deste projecto. Com o passar dos anos, foram também aparecendo outras exigências para a comercialização do fumeiro, regras impostas pelo Decreto-lei 113/2006, de 12 de Junho, que apenas possibilitam a venda de fumeiro a quem esteja colectado ou invista nas cozinhas tradicionais, obrigando assim ao cumprimento de todos os requisitos de higiene e salubridade. No entanto, esta legislação possibilita novas formas de rendimento através da produção, transformação e comercialização de outros produtos feitos à base de recursos locais. O licenciamento é atribuído pela DRATM, pelas autarquias e pelos Serviços de Saúde, desde que cumpridas as normas impostas. Novas regras, novas exigências e uma maior oportunidade de negócio, actualmente são 200 os produtores ou seja pequenas empresas, que sabem rentabilizar e tomar partido daquilo que os distingue, a boa carne, as boas batatas, as boas chouriças, o bom presunto. Para esta edição as expectativas são as melhores «já passamos o teste da neve, da crise, já superamos tudo aquilo que havia a superar, e que podia deitar por terra o sucesso deste certame, estamos por isso optimistas, cientes que em 2010 a romaria continua» colmata Orlando Alves quando questionado acerca das perspectivas para esta edição. São esperadas 60 mil pessoas, durante quatro dias que elevam Montalegre à categoria da Capital do Fumeiro.
MJA


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