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ENTREVISTA Francisco José Viegas |
Francisco José Viegas regressou com o romance “O Mar em Casablanca”. O autor não larga o inspector Jaime Ramos, da Polícia Judiciária do Porto, que volta a assumir o protagonismo, e mais uma vez os crimes que investiga enredam-se na sua vida pessoal. Tudo começa com um cadáver (de um jornalista) que aparece nos bosques que rodeiam o hotel Palace do Vidago, ao qual vai ser associado, mais tarde, um outro crime, este ocorrido nos belos cenários do Douro, onde o morto é um homem de negócios angolano. O que une estes crimes são os conturbados tempos vividos em Angola em 1977, ou melhor, as pessoas que viveram esses tempos.
Jaime Ramos, ajudado por Isaltino de Jesus e José Corsário, tenta unir os pontos dispersos que unem estes crimes, mas ao mesmo tempo, mesmo não o querendo, vai unindo pontos da sua própria vida, levando-o a recuar até à guerra na Guiné, onde conheceu Adelino Fontoura, ao lado de quem combateu, que julgava desde então morto, mas que encontrou ligado aos crimes do Vidago e Douro. A investigação de Jaime Ramos permite-nos conhecer a vida de Adelino, uma vida cheia de acção (é um agente secreto), a que não falta um passado misterioso, que nos leva até à Argentina, à procura do seu pai. Ligada a Adelino, surge Mariana Serra, filha de um casal de portugueses vítimas da convulsão de 1977 em Angola. De todas estas histórias de vida, aparentemente independentes e soltas, nasce a história de “O Mar em Casablanca”, muito bem montada e melhor descrita por Francisco José Viegas, que com a sua escrita simples e pura (cada vez mais depurada) nos leva, antes de chegar a Marrocos, numa viagem que é a viagem dos portugueses, sempre prontos a partir mas quase nunca prontos a soltar definitivamente as amarras.
Portanto, “O Mar em Casablanca” não é “apenas” um romance de personagens, é também, e de que maneira, um romance de lugares, começando logo pelo Passeio Alegre, no Porto, seguindo-se Vidago, o Douro, a Argentina e, claro, Casablanca, a do filme e a real.
Este foi o pontápé de partida para uma conversa com o escritor, onde algumas das memórias passaram por Barroso, nomeadamente a referência: Correio do Planalto.
Uma conversa para ser ouvida no Vozes do Povo desta semana (17 e 18 de Abril).
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